Na sociedade urbana de Macau, as pessoas vivem obcecadas com as coisas materiais, e poucas alguma vez pensam na existência nesta cidade de sítios pré-históricos com mais de 6,000 anos de história. Como todos sabemos, Macau possui uma longa história de mais de 400 anos de intercâmbio cultural entre a China e Portugal; contudo, como era Macau 400 anos antes da chegada dos portugueses? Porque motivo se mudaram as pessoas para Macau nessa altura? Responder a estas questões e tentar introduzir essa parte da história da descoberta do solo intacto de Macau é o principal objectivo desta exposição.
Em 1972, a Hong Kong Archaeological Society foi convidada a efectuar um levantamento em Macau. Em cinco locais de Coloane, Ka Ho, Cheoc Van, Vila de Coloane, parte norte e sul de Hac Sa, foram encontradas relíquias pré-históricas do Período Neolítico, que provaram que Macau era afinal rico em bens culturais pré-históricos preciosos.
As peças agora em exibição, entre as quais há uma quantidade significativa de peças de cerâmica pintada com características locais específicas, tanto no que se refere ao design como à execução, foram encontradas no Sítio de Hac Sa. Esta cerâmica tem um valor académico importante para o estudo e a pesquisa do desenvolvimento cultural pré-histórico e da formação da cultura costeira típica do antigo sul da China, embora não tenham sido dadas muitas oportunidades às pessoas para aprenderem sobre estas questões.
Assim, o Museu de Arte de Macau patrocinou o Curso de Verão "Arqueologia Pré-histórica e Cultura de Macau", que decorreu durante o mês de Agosto de 2003. Sob a orientação de profissionais de arqueologia, jovens estudantes de escolas locais organizaram a classificação de relíquias e antiguidades pré-históricas encontradas em Macau. Os resultados do seu trabalho serão mostrados nesta exposição.
A pesquisa arqueológica em Macau tem sido levada a cabo esporadicamente desde os anos setenta e a maior parte dessas actividades foram assistidas por arqueólogos de zonas vizinhas a Macau. Macau não possui uma equipa arqueológica própria e nunca efectuou uma pesquisa arqueológica independente. Contudo, com as actividades relacionadas com a arqueologia realizadas com a participação de estudantes locais, podemos dizer que o empreendimento arqueológico se encontra agora num estádio rudimentar. Esperamos que o "rebento" cresça rapidamente no futuro e que esta exposição desempenhe um papel importante na promoção e apreensão da história pré-histórica de Macau, assim como a da cultura chinesa.
Director do Museu de Arte de Macau
Ung Vai Meng