O Museu de Arte de Macau e o Museu do Palácio têm desenvolvido uma forte relação de trabalho. As duas instituições, organizaram conjuntamente exposições como “Maravilhas de uma Época Próspera - Pinturas e Antiguidades dos Imperadores Kangxi, Yongzheng e Qianlong da Cidade Proibida”, “Legados dos Qing – A Sumptuosa Arte da Embalagem Imperial”, “Exílio Dourado – Expressões Pictóricas da Escola dos Missionários Ocidentais - Obras de Arte da Corte da Dinastia Qing”, “Vivências do Imperador Qianlong” e, agora, a exposição “ Essência Luminosa – Relíquias do Budismo Tibetano do Palácio Imperial.”
A colecção do Museu do Palácio Imperial foi reunida pela corte Qing a partir de contribuições de devotos. A colecção tem mais de um milhão de peças e é considerada como um acervo notável por outros museus mundiais. Por outro lado, a colecção do Museu do Palácio pertence ao povo da China e exige a responsabilidade de ser partilhada enquanto exemplo da sua cultura tradicional. O Museu de Arte de Macau pretende encorajar este processo e, assim, solicitou o empréstimo destas relíquias ao Museu do Palácio, para que a população de Macau possa também admirar o seu esplendor. Assim, podemos não só ver estas importantes relíquias culturais como estimular o amor pelo nosso país, pela sua história e tradições. Esperamos poder continuar a realizar este tipo de exposições, pois, como disse Mo Zi “A Beleza de todas as coisas está na Justiça.” Nesse sentido, não só pensamos no refinamento das relíquias do Museu do Palácio, como na educação da população.
Os colaboradores do Museu do Palácio têm feito um esforço extraordinário na conservação destes tesouros culturais ao longo do século passado. A sua dedicação a essa tarefa tem sido um exemplo para o Museu de Arte de Macau e é, para nós, uma honra segui-lo. As relíquias do Museu do Palácio Imperial são inúmeras – cada peça podia ser objecto de um ensaio. Podemos inspirar-nos nelas infinitamente. Através da união dos nossos esforços, o público pode agora ver alguns destes refinados tesouros anualmente em Macau.
A exposição “Essência Luminosa” inclui Estatuária Budista, Pinturas Tangka , Utensílios Sacrificiais e Vestes Budistas, Sutras Budistas, Cenários de Salões para Veneração do Buda. As peças expostas são de grande beleza e refinamento, reflectindo a rica cultura do Budismo Tibetano e também a pureza destas relíquias.
O Budismo entrou no Tibete durante a Dinastia Tang. Após várias dificuldades, deu finalmente fruto. Os imperadores das Dinastias Ming e Qing foram também seguidores do Budismo. A política da Dinastia Qing em relação ao governo do Tibete era de apaziguamento. Durante o período Shunshi, o 5º Dalai Lama fez uma visita a Kangxi e Yongzhen. Porém, Qianlong seguiu o exemplo das Dinastias Yuan e Ming e tentou melhorar o sistema de governo no Tibete. O imperador criou, assim, um sistema designado por “Jinping Zhiqin” para a selecção dos sucessores ao trono – sistema que ainda se encontra em uso. Foi dito : “ Só os que conhecem a verdade podem extrair da história a compreensão do presente.”
As peças desta exposição são sobretudo da Corte Imperial Qing. Foram contributos dos líderes da Mongólia, do Tibete e dos monges de maior estatuto. Na sua maioria foram feitas no Tibete e no Nepal, embora algumas sejam produto da corte Imperial ou do próprio país, para uso privado ou como oferendas. Todas estas relíquias são prova das estreitas relações artísticas e culturais entre os Han e os Tibetanos, demonstrando que os últimos são membros da família chinesa. Do ponto de vista cultural Han, podemos considerá-las como parte da riqueza da nossa cultura e tradições, da abundância de artefactos e da vastidão da terra.
A religião cataliza a arte. “Essência Luminosa” mostra peças sagradas da religião e da arte, que é capaz de purificar o coração humano. Muitas vezes, contêm um espírito que só pode ser transmitido coração a coração, que nenhuma língua, por eloquente que seja, consegue descrever completamente. No entanto, redigimos este texto para partilhar a história do conteúdo da exposição. Utilizamos caligrafia, no estilo Tang, para a descrição da exposição “Essência Luminosa”, e esperamos que isso a enriqueça.
Chan Hou Seng
Responsável pela Pintura e Caligrafia Chinesa
Museu de Arte de Macau